• Este artigo busca refletir sobre as relações observadas entre a comunidade da cidade de Goiás-GO e seu patrimônio cultural sob a perspectiva dos comuns culturais, especialmente, na primeira de suas três fases de patrimonialização convencionadas. Objetiva-se compreender a existência desses comuns ao longo da trajetória de preservação patrimonial da cidade e como se estruturaram ao longo do tempo, assim como, das práticas sociopolíticas e culturais, memória social, apropriações coletivas e vinculações afetivas articuladas a eles. Visa, enfim, a verificar em que medida todos esses elementos poderiam, por meio da participação comunitária, ter contribuído para sua conservação singular. O papel da sociedade civil organizada na área, como a OVAT e o Movimento Pró-Cidade de Goiás, também serão observados atentamente. Para tanto, investiga-se recortes jornalísticos de época, documentos extraídos do Dossiê de tombamento do IPHAN e outras pesquisas sobre a temática, utilizando-se o viés da História Cultural e as perspectivas de autores como Pierre Nora, Antônio Negri e Michael Hardt, David Harvey, Pierre Dardot e Christian Laval. Essa abordagem busca atender à atual demanda por alternativas de conservação não institucionais do patrimônio cultural brasileiro, em razão das circunstâncias críticas enfrentadas por esse campo na contemporaneidade.