• As Casas da Criança compunham a Obra Social iniciada pelo médico Bissaya Barreto, numa altura em que os índices de pobreza, analfabetismo e mortalidade infantil eram demasiados altos em Portugal. Do ponto de vista educativo e social, aproximavam-se de ações internacionais como La Maison de l’Enfance na França e Casas dei Bambini em Itália. Como parte de uma investigação em desenvolvimento no âmbito do Projeto INOVAR – Roteiros da inovação pedagógica: Escolas e experiências de referência em Portugal no século XX, este trabalho tem por objetivo refletir sobre o caráter inovador das Casas da Criança, suas dinâmicas educativas e de assistência à infância e à família. Propomos reflexões às seguintes perguntas: O que nos diz os documentos sobre o funcionamento e o papel educativo e social das Casas da Criança? Existia inovação? Que tipo? Adotamos uma metodologia qualitativa quanto aos métodos e explicativa quanto aos objetivos, com análise documental dos registos/relatórios de internados e relatórios de estágio (1950-1960). A análise dos documentos permite-nos verificar o funcionamento da Casa da Criança, o fluxo de crianças, a situação económico/social e a literacia das famílias assistidas. O aspecto inovador revela-se, sobretudo, na forma como acolhem as crianças carenciadas, na assistência e ações educativas de inspiração Montessoriana. A socialização é feita num ambiente rico em jardins, higiênico e saudável, com enfoque na criança nos moldes Escola Novistas. Nossa fundamentação teórica apoia-se, sobretudo, em Barreto Rosa (1970), Cambi (1999), Gomes Ferreira & Mota (2012), Pais de Sousa (1999), Tavares Nogueira (2015).