• Sendo habitual a composição em estilo concertado, decorrente do processo de italianização típico do século XVIII, o repertório existente, praticado e disseminado pela Sé de Évora apresenta várias características não apenas estruturais mas também orquestrais desta tendência.
    Efectivamente, desde o século XVIII que é possível encontrar referências à flauta nos instrumentos constituintes do quadro musical da Sé de Évora: é o caso não apenas de obras de compositores estrangeiros com representação neste fundo (Giovanni Giordani ou Jommeli, italianos que utilizam a flauta em algumas das suas obras sacras, como os salmos Dixit Dominus ou Miserere) mas também portugueses como José Maurício, falecido em 1815 e que apresenta uma instrumentação ao seu Miserere na qual se vê que este instrumento era já conhecido.
    Saindo do âmbito dos salmos, vemos que é possível encontrar este instrumento também em outras obras sacras, como a Missa data de meados do século XIX do eborense Francisco José d’Assis, compositor que utiliza uma instrumentação variada, da qual a flauta é parte integrante.
    Pretende assim esta comunicação analisar de uma forma mais específica a forma como este instrumento de sopro poderia ser trabalhado no âmbito de composições sacras como as Missas, percebendo se haveria alguma relação entre zonas específicas da obra e este instrumento.